terça-feira, 22 de maio de 2012

O Dia que Quase Morri

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Alguma vez a morte já olhou bem nos seus olhos e foi embora? Posso dizer que esta foi a pior experiência que já tive.

Em São Gonçalo, fui ao enterro do meu tio Luciano, que morreu com suspeita de trombose. Tinha apenas 40 anos. Embora eu não adorasse meu tio, fiquei bem triste. Minha tia Débora e minha prima precisam de apoio, e sei o que é perder alguém que era tudo, e sei o quanto é importante ter pessoas ao lado nesse momento.

Seu Eleomar, pai do meu tio, era quem dirigia. Estava bem nas outras vezes. Os carros foram parando no sinal e aí houve a primeira batida. Ele estava devagar, só a mulher dele, ao bater a cabeça no para-brisa, machucou o pescoço. Deveríamos ter ido para um hospital naquele momento.

O carro era velho e malcuidado, não tinha cinto atrás. Tenho costume de usá-lo, então fiquei receosa de andar no carro desde a primeira vez. Depois dessa batida, um alarme estrondoso soou na minha cabeça, principalmente porque eu estava bem no meio. Ainda perguntei para a minha prima se ela não queria trocar de lugar para ficar perto do namorado. Por ser magra e leve, meu medo era de que, se acontecesse outra batida, eu fosse lançada.

Já em uma pista de maior velocidade, aconteceu a segunda batida - seu Eleomar apagou, não fez a curva, batendo na mureta. Cruzou toda a pista e bateu no barranco do lado oposto e parou. A batida foi mais lateral, então não fui projetada para frente. Mas minha cabeça e a da minha prima se chocaram.

Na hora, não fiquei tão nervosa por causa da adrenalina, fiquei aos poucos. O coração parecia que ia estourar no peito. Com a batida, fiquei bem tonta e não conseguia andar direito. Doía demais e ficou muito inchado, Doía também o ouvido. Quase não consegui comer nesse dia, doía até para falar.

Fiquei muito preocupada com a mulher, ela nem conseguia se mexer. O SAMU demorou 1h. Meu pai não quis esperar, me levou para casa da minha tia. Achou que, por estar nervosa, estava exagerando, já que minha prima tinha batido com a cabeça também e parecia que nada tinha acontecido. Mas eu deveria ter ido mesmo ao hospital e teria ficado internada em observação, pois uma batida na cabeça não é uma unha quebrada.

Fui à emergência no dia seguinte. Nem tiraram uma radiografia, já que tinha passado a noite bem (descobri assistindo Fantástico que eu não podia ter dormido). Aparentemente, machuquei o músculo. Já estou boa, o galo já quase desapareceu. Ainda sinto dor no músculo ao forçar a mandíbula. Meu receio é ter piorado minha (provável) D-ATM.

Sei que algo aconteceu para que uma desgraça maior não acontecesse, uma força poderosa nos protegeu ou pura sorte, obra do acaso. Se o carro estivesse mais rápido, se tivesse algum carro passando no momento, ou se não tivesse a mureta, seria realmente mortal. E pensar nisso tudo me fez ficar apavorada – agora fico achando que o carro baterá, e estou com medo de fazer autoescola.

Depois descobrimos que, durante o enterro, alguém deu Rivotril para o pai, a mãe e o irmão do meu tio. Eles, como não sabiam, tomaram. Senti muito ódio dessa pessoa. Por causa dessa irresponsabilidade, pessoas quase morreram. Como alguém dá um remédio tarja preta como se fosse balinha, como se fosse o senhor absoluto da medicina?! Minha vontade foi de socar a cara dela. Espero que esta pessoa tenha sentido no mínimo um peso na consciência absurdo, que ela nem tenha conseguido dormir direito à noite. Não consigo perdoar, minha indignação nunca passará.